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O sintoma como protesto
Entre diagnóstico e mercado: quem lucra com o seu adoecimento?
25/09 /2025
Você não está doente. Está sendo usado!
Vivemos um tempo em que o sofrimento psíquico é rapidamente transformado em diagnóstico. Burnout. Ansiedade. Depressão. Síndrome de não sei o quê.
Os nomes são muitos. E, embora descrevam manifestações legítimas da dor, muitas vezes acabam servindo para capturá-la e silenciá-la. O sintoma se torna algo tratável, vendável e, sobretudo, funcional.
Mas o que estamos tentando silenciar quando dizemos que estamos ansiosos, esgotados ou sem energia?
O sofrimento como engrenagem
A lógica do desempenho não quer te ver feliz. Ela quer te ver funcional.
Funcional até o limite da exaustão. E quando você quebra? Ainda assim, útil.
Porque para cada dor há uma promessa pronta:
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comprimidos que aliviam,
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autoajuda que motiva,
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conteúdos que ensinam a otimizar o tempo,
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terapias rápidas que cabem na agenda.
Tudo isso para que você não pare.
O ciclo é perverso: você se esgota ? busca alívio ? retorna à produção.
E nesse movimento infinito, há sempre alguém lucrando.
A indústria farmacêutica cresce.
Os aplicativos de produtividade se multiplicam.
Seu esgotamento sustenta um mercado bilionário.
Seu adoecimento virou modelo de negócios.
Sintoma ou exploração?
Mas e se a sua exaustão não for apenas uma doença individual?
E se for, antes de tudo, um sintoma social?
Um reflexo de um sistema que não tolera pausa, limite, silêncio ou desejo.
Um sistema que exige adaptação total até que a vida do sujeito se confunda com a lógica da produção.
A pergunta então não é apenas o que você tem?, mas:
Para quem você está adoecendo?
O sintoma como protesto
A psicanálise nos lembra: o sintoma fala.
Ele denuncia um conflito interno, mas também carrega marcas do mundo e das violências simbólicas e materiais às quais o sujeito está submetido.
Quando a medicalização se torna a única resposta, corremos um risco: o de tratar a dor e manter o sujeito acorrentado à causa.
A dor é atenuada, mas a engrenagem continua a girar.
É por isso que a terapia não se reduz a oferecer alívio imediato.
Ela convida a escutar a pergunta que dói:
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Por que isso dói em você?
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Para quem você se esforça tanto?
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O que há de seu nesse sofrimento?
Porque, às vezes, a dor é o que resta quando tudo o que é vivo já foi silenciado.
Escutar o que insiste
O sintoma não é apenas um problema a ser eliminado.
Ele pode ser um chamado. Um protesto do inconsciente.
Talvez seja justamente ele que nos salve da adaptação total a um mundo que insiste em nos adoecer.
Você não está doente. Está sendo usado.
E se você já sabe disso, a questão é: o que vai fazer com esse saber?